Telas Equitativas para o Onnibank
Projeto
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Criação de Aplicativo iOS e Android
Cliente
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Onnibank
Atuação
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Principal Product Designer
Ano
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2024
Durante a análise inicial do fluxo de login do app Onnibank, identificamos que as telas de acesso eram excessivamente genéricas, pouco acolhedoras e sem qualquer representação da diversidade do público-alvo.
Por que diversidade e inclusão são cruciais em fintechs e apps bancários?
Nos últimos anos, o crescimento de bancos digitais e fintechs no Brasil tem sido exponencial. Segundo dados da ABFintechs (Associação Brasileira de Fintechs), o Brasil tem hoje mais de 1.200 fintechs ativas, sendo que mais de 35% delas atuam diretamente no setor de meios de pagamento e serviços bancários digitais, como é o caso do Onnibank. Entretanto, estudos de mercado apontam uma grande desconexão entre a diversidade demográfica dos usuários desses serviços e a forma como esses produtos são desenhados e comunicados.
Dado relevante: Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Locomotiva (2023) revelou que 60% das pessoas negras, 53% das pessoas LGBTQIAPN+ e 65% das pessoas idosas sentem que produtos financeiros digitais não foram pensados para elas.
Além disso, 72% das mulheres afirmaram que a comunicação visual e verbal de apps bancários tem uma abordagem masculinizada ou tecnicista, o que gera desconforto.
Qual problema resolvemos?
Em um banco digital cuja proposta de valor é facilitar a vida financeira e oferecer benefícios para colaboradores de empresas, é essencial que cada pessoa se sinta representada e acolhida desde o primeiro ponto de contato – o login.
O fluxo de login do Super App do Onnibank utilizava ilustrações “stock” com personas genéricas, quase sempre brancas, jovens e heteronormativas. Não havia qualquer variação de cor de pele, idade, formato corporal ou orientação de gênero. Isso passava uma mensagem subliminar: o Onnibank tem um público “padrão”, deixando de fora uma gama enorme de colaboradores reais das empresas clientes.
Desafios identificados:
Ausência de imagens ou ilustrações que representassem a diversidade de usuários.
Linguagem excessivamente formal, distante de públicos jovens ou diversos.
Interface neutra, mas sem calor humano ou identificação emocional.
A falta de personalização no fluxo inicial do app criava uma primeira impressão impessoal.
A realidade demográfica do público do Onnibank:
Durante o processo de Desk Research, descobrimos mais sobre o público do Onnibank:
47% são mulheres
32% se autodeclaram negros ou pardos
14% são pessoas com mais de 50 anos
7% se identificam como LGBTQIAPN+
25% têm baixa ou média familiaridade com apps bancários
46% dessas pessoas afirmam ter medo de cometer erros ao usar apps financeiros e acreditam que apps bancários não foram desenhados para suas realidades culturais e linguísticas.
Impactos Reais da Falta de Representatividade
Desengajamento e abandono precoce
Colaboradores que não se sentem representados tendem a criar menos vínculo com a marca e a utilizar menos os benefícios oferecidos pela plataforma. O fluxo de login é o primeiro impacto nessa experiência.
Dado: Fintechs com baixa percepção de inclusão têm até 32% maior taxa de abandono no onboarding, segundo estudo da Accenture (2023).
Desconexão com o propósito da marca
Onnibank vende para o RH a ideia de “banco humano e próximo”, mas essa promessa não é traduzida visualmente e emocionalmente para o colaborador final no primeiro contato com o app. Isso gera um desalinhamento entre discurso e prática.
Experiência desigual e capacitista
Para idosos, pessoas com baixa visão ou baixa escolaridade digital, uma interface impessoal e complexa representa uma barreira real de acesso aos próprios salários e benefícios.
Dado: Em pesquisa da Febraban (2023), 38% das pessoas com mais de 55 anos relataram dificuldades significativas no uso de apps bancários, especialmente na fase de login e cadastro.
Solução do problema
Tornar o login do Onnibank uma ferramenta de conexão emocional e representatividade gera valor não só para os colaboradores, mas também para o RH, que poderá comunicar aos seus times que escolheu um banco realmente comprometido com inclusão e diversidade.
Empresas com políticas ativas de diversidade e inclusão tendem a buscar fornecedores que refletem esses mesmos valores. Ter um app mais inclusivo pode ser até um argumento comercial forte para o Onnibank conquistar novas contas corporativas.
Criar um fluxo de login e uma tela inicial mais equitativa e representativa, reforçando os valores de inclusão e diversidade do Onnibank, e conectando emocionalmente com o usuário desde o primeiro momento.
Ideação e Conceito
Representatividade Visual
Utilizar imagens e ilustrações que representem:
Pessoas brancas, pretas, asiáticas entre outras;
Diferentes faixas etárias (jovens, adultos e idosos);
Diversidade de gênero e sexualidade (homens, mulheres, pessoas não-binárias e LGBTQIAPN+);
Famílias diversas (casais héteros, homoafetivos, famílias com avós presentes, etc.)
Personalização Cultural
Criar opções para que o app reconheça algumas preferências do usuário após o primeiro login, adaptando algumas imagens e mensagens ao longo da experiência.
Resultados e Aprendizados
Interfaces bancárias tradicionais ainda refletem preconceitos históricos de um público padrão, quando, na verdade, o Brasil é extremamente diverso. Inclusão não é só acessibilidade técnica, mas representatividade emocional e visual.
A inclusão não é uma camada extra ou “nice to have”. No Onnibank, a tela de login deixou de ser apenas um portão de entrada para o app e se transformou em um ato de acolhimento e reconhecimento da diversidade do público.

Esse case reforça o compromisso do design centrado nas pessoas — todas as pessoas.