Case Onniflex: App de Benefícios
Projeto
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Criação de Aplicativo iOS e Android
Cliente
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Onnibank
Atuação
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Principal Product Designer
Ano
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2024
O Onnibank é uma fintech luso-brasileira que oferece uma solução integrada para empresas gerenciarem pagamentos salariais, benefícios flexíveis e serviços financeiros para seus colaboradores, tudo em uma única plataforma e aplicativo. Nosso desafio foi criar um aplicativo que simplificasse a gestão financeira para o RH das empresas enquanto oferecesse uma experiência intuitiva e valiosa para os colaboradores. Este case apresenta o processo completo, utilizando técnicas modernas de UX Research, UX Design, UI Design e prototipação, com foco em um resultado estratégico, técnico e centrado no usuário.
Antes da criação do Onniflex, os processos de concessão, consulta e gestão de benefícios corporativos eram fragmentados e burocráticos. RHs utilizavam múltiplas plataformas para gerenciar vales, enquanto colaboradores precisavam acessar apps e cartões distintos para VR (Vale-Refeição) e VA (Vale-Alimentação). Isso causava:
Alto volume de dúvidas no RH sobre saldo, extrato e regras de uso.
Experiência confusa e frustrante para colaboradores.
Dificuldade de controle financeiro por parte dos usuários finais.
Desafio Principal: Criar um app unificado que simplificasse esse ecossistema, oferecendo uma experiência fluida, confiável e amigável para RH e colaboradores.
Observação importante: Por questões contratuais, não posso compartilhar dados sensíveis do banco nem informações detalhadas das pesquisas realizadas. No entanto, você poderá conhecer melhor as técnicas e metodologias aplicadas ao longo do desenvolvimento deste projeto.
Home do App
Extrato do benefício
Transferência de Saldo
Pagamento de contas
Qual problema resolvemos?
O Onnibank nasceu como uma fintech voltada para serviços financeiros e soluções de folha de pagamento para empresas, oferecendo uma plataforma digital que integrava abertura de conta, pagamento de salários e crédito consignado. No entanto, havia uma lacuna importante no portfólio: o Onnibank ainda não possuía uma solução própria para gestão de benefícios corporativos.
A demanda por essa solução veio diretamente do mercado. Os próprios clientes do Onnibank (gestores de RH) começaram a solicitar que o banco oferecesse uma solução integrada de benefícios, especialmente para VR e VA (vale-refeição e vale-alimentação). Esses clientes já utilizavam o Onnibank para pagar salários e gerir pagamentos diversos, e queriam consolidar também os benefícios na mesma plataforma, simplificando suas rotinas e reduzindo o número de fornecedores.
Paralelamente, o mercado brasileiro de benefícios passava por uma transformação, com novas fintechs (como Flash, Caju e Vee) introduzindo modelos mais flexíveis e oferecendo apps modernos, centrados na experiência do colaborador. Para o Onnibank, não bastava apenas criar um novo produto — era necessário entrar nesse mercado com uma solução competitiva em usabilidade e valor agregado, capaz de diferenciar o Onnibank da concorrência e de atrair empresas que buscavam inovação.
Declaração do Problema
O Onnibank precisava criar, do zero, um novo produto digital de benefícios — o Onniflex — que fosse competitivo com as fintechs do setor, atendesse às necessidades específicas de RHs e colaboradores e entregasse uma experiência digital moderna e fluida, alinhada com o posicionamento inovador da marca.
Sem um histórico de produto de benefícios e sem fluxos já consolidados, nossa atuação em UX teve que começar do zero absoluto, incluindo:
Compreender profundamente como é a rotina real de gestão de benefícios em empresas de diferentes portes e segmentos.
Entender como os colaboradores enxergam seus benefícios, quais suas expectativas e principais frustrações com soluções existentes.
Definir toda a arquitetura da informação, fluxos, nomenclaturas e hierarquias, sem modelos preexistentes no Onnibank.
Criar uma interface e uma experiência que fosse tão fácil e amigável quanto apps de consumo (Nubank, iFood), mesmo sendo um produto financeiro e corporativo.
Evitar que o Onniflex fosse visto apenas como “mais um app de benefícios”, criando diferenciais claros e valor agregado para cada público.
Dores Identificadas (Pré-Pesquisa)
Logo no início do projeto, levantamos hipóteses com o time de Produto e Comercial do Onnibank. Algumas das dores mapeadas foram:
Para o RH:
Trabalhar com vários fornecedores de benefícios é burocrático e custoso.
Controlar VR e VA separadamente gera retrabalho.
RH é bombardeado por dúvidas operacionais simples (qual saldo, como usar, onde aceita).
Para o Colaborador:
Não entende claramente o saldo disponível (o que é VR e o que é VA).
Tem receio de usar o benefício em locais errados e ser bloqueado.
Falta de notificações claras sobre recarga, vencimento e uso.
Como criar um novo produto digital, do zero, que resolvesse essas dores, entregasse uma experiência fluida e competitiva com as fintechs líderes do setor e consolidasse o Onnibank como uma plataforma completa — unificando folha, pagamentos e benefícios em um só aplicativo e ecossistema? Esse não era um projeto de “melhorar” uma solução existente. Era uma criação ground-up, onde UX Research e UX Design desempenharam papéis fundamentais em:
Descobrir o que o mercado realmente precisava — e não apenas o que o time interno imaginava.
Criar uma linguagem e uma identidade de produto para um serviço que ainda não existia no Onnibank.
Evitar a criação de um sistema excessivamente técnico ou burocrático, garantindo que o app fosse intuitivo para usuários com qualquer nível de familiaridade digital.
Definir fluxos e jornadas que equilibrassem controle total para o RH e experiência ágil e transparente para o colaborador.
Meus Cartões
Gestão do Cartão
Alerta para Usuário
Tracking do Cartão
Solução do problema
Nosso objetivo foi criar uma solução digital centralizada, intuitiva e transparente, que entregasse controle total para o RH, clareza e simplicidade para o colaborador, experiência moderna e fluida, compatível com fintechs inovadoras.
Desde o início do projeto, nossa atuação foi muito além da criação de telas. Nosso compromisso era ajudar o Onnibank a transformar uma ideia estratégica — o Onniflex — em uma solução digital funcional, intuitiva e centrada nos usuários. Para isso, estruturamos e executamos um processo completo de UX Research e UX Design, atuando em conjunto com áreas de Produto, Tecnologia, Marketing e, principalmente, com os próprios clientes do banco: os RHs das empresas contratantes e os colaboradores que usariam o app no dia a dia.
Minhas Funções e Responsabilidades
Como Lead UX/UI Designer, assumi neste projeto um papel multifacetado que combinou pesquisas, criação do design, prototipação e coordenação com a equipe de tecnologia do banco:
Definir e conduzir a estratégia completa de UX Research.
Facilitar workshops com stakeholders.
Coletar e analisar dados primários e secundários.
Criar personas, jornadas e mapas de empatia.
Definir a Arquitetura da Informação e fluxos de navegação.
Criar wireframes, protótipos e documentar o Style Guide.
Conduzir testes de usabilidade e interpretar resultados.
Acompanhar o desenvolvimento e atuar como ponto de apoio para o time de tecnologia durante QA.
Alinhamento estratégico e definição do escopo
O primeiro passo foi entender as dores que motivaram a criação do Onniflex. Conduzimos uma série de reuniões com stakeholders-chave: CEO, CPO, time comercial e de suporte. Nestas conversas, ficou claro que o Onnibank queria se posicionar não apenas como fornecedor de benefícios, mas como uma plataforma estratégica para o RH, oferecendo eficiência operacional e uma excelente experiência para o colaborador. Isso norteou todo o trabalho de UX.
Com base nessas reuniões iniciais, definimos em conjunto com o cliente:
O objetivo central do produto: simplificar a gestão de benefícios e melhorar a experiência de uso.
As métricas de sucesso: redução de dúvidas no suporte, aumento da adoção do app nos primeiros 30 dias e alta avaliação de satisfação por parte dos colaboradores.
Integração com o App da Conta Digital do Onnibank
O Onniflex não seria um app independente. Por decisão estratégica do cliente, ele deveria funcionar como um módulo dentro do app principal do Onnibank, onde já estavam concentrados serviços como:
Conta digital do colaborador
Pagamento de salário
Antecipação salarial
Crédito consignado
PIX e pagamentos
Isso trouxe desafios importantes para UX:
Criar fluxos consistentes com os demais produtos, mesmo sendo uma funcionalidade nova.
Manter uma navegação fluida entre “Conta Digital” e “Benefícios”, sem parecer que são produtos desconectados.
Respeitar o design system existente, mas com liberdade para dar ao Onniflex uma personalidade própria.
Considerar as limitações técnicas da stack existente (Flutter) e garantir compatibilidade entre os módulos.
Restrições Técnicas e de Infraestrutura
Como o Onniflex seria um produto financeiro inserido em um app bancário, tivemos que seguir uma série de requisitos técnicos e regulatórios:
O fluxo de login e autenticação precisava ser único e seguro.
Toda a navegação do Onniflex deveria funcionar dentro do WebView/Container do app Onnibank, sem quebra de contexto.
As informações de saldo e histórico de transações precisavam ser atualizadas em tempo real, puxando dados da infraestrutura já existente do banco.
A integração com a folha de pagamento e os processos internos de RH das empresas clientes precisava seguir as exigências legais da CLT e da legislação de benefícios.
As notificações push relacionadas ao Onniflex precisavam usar a mesma estrutura de push do app do banco, sem criar novas regras ou serviços paralelos.
Resultados e Aprendizados
Todas as decisões foram baseadas em dados reais de pesquisa (o que eliminou retrabalho).
Resultados Alcançados
Apesar de ser um projeto construído do zero, com uma extensa fase de pesquisa e validações, o Onniflex foi lançado dentro do prazo de 4 meses, respeitando a estratégia de criar um MVP funcional e competitivo. Isso só foi possível porque:
Todas as decisões foram baseadas em dados reais de pesquisa (o que eliminou retrabalho).
Houve alinhamento contínuo entre UX, Produto e Tecnologia, o que garantiu que o escopo fosse realista.
A documentação clara (Matriz de Insights, Style Guide, Fluxos) acelerou o desenvolvimento.
Redução de 42% nas dúvidas operacionais enviadas para o RH
Antes do Onniflex, RHs lidavam com um alto volume de dúvidas operacionais de colaboradores, sobre:
Quanto de saldo havia disponível.
Quando seria feita a próxima recarga.
Onde o benefício podia ser utilizado.
Diferença entre VR e VA.
Com a clareza e a transparência proporcionadas pelo novo design, essas dúvidas caíram em 42% já no primeiro mês de uso do Onniflex, liberando tempo do RH para tarefas mais estratégicas.
Adesão rápida: 83% dos colaboradores cadastrados acessaram o Onniflex no primeiro mês
Ao criar uma experiência de onboarding simplificada e totalmente integrada ao app principal da conta digital Onnibank, a adoção foi quase imediata. Em 30 dias, 83% dos colaboradores das empresas participantes já haviam ativado e usado o Onniflex pelo menos uma vez. Esse dado foi visto como um sucesso por todo o time, porque fintechs tradicionais de benefícios costumam ter adoção inicial mais lenta, especialmente entre perfis menos digitais.
NPS do app: 92% de avaliações positivas entre usuários finais
Após o primeiro mês de uso, o Onnibank aplicou uma pesquisa de satisfação diretamente no app, utilizando a metodologia NPS. O Onniflex obteve 92% de avaliações positivas, com destaque para:
Clareza na visualização do saldo.
Facilidade para entender onde pode usar.
Notificações úteis e no momento certo.
Integração fluida com a conta digital.
Aumento do valor percebido do Onnibank como plataforma completa
Esse é um resultado qualitativo, mas com impacto direto na estratégia comercial. Antes do Onniflex, o Onnibank era visto apenas como “a conta onde o salário cai”. Com a entrada do Onniflex, a percepção mudou para “um banco completo para RH e colaboradores”, conectando folha de pagamento, benefícios e crédito em um só lugar.
Esse aumento no valor percebido fortaleceu a retenção de clientes e abriu portas para cross-sell de outros produtos, como antecipação salarial e crédito consignado.
Aprendizados
Pesquisa aprofundada antes de começar a desenhar economiza tempo no final
Muitos projetos de produto digital pulam etapas de pesquisa para “ganhar tempo”, mas no caso do Onniflex, a pesquisa extensa (quantitativa e qualitativa) evitou erros graves de concepção, como criar fluxos desnecessários ou funcionalidades pouco relevantes. Isso reduziu drasticamente o retrabalho nas fases finais.
Lição: Tempo investido em pesquisa é tempo economizado em correções e ajustes.
Integração com o app principal foi um grande acerto
Inicialmente, alguns stakeholders defendiam criar o Onniflex como um app separado, mas a pesquisa e os testes mostraram que os colaboradores queriam uma experiência centralizada. Ao integrar o Onniflex ao app principal da conta digital, criamos uma experiência mais fluida e reforçamos a percepção de valor da plataforma Onnibank.
Lição: Em ecossistemas digitais, centralizar serviços correlatos é uma tendência forte e bem aceita pelos usuários.
Notificações são tão importantes quanto a interface principal
Um dos maiores insights veio da pesquisa qualitativa: colaboradores têm alta ansiedade financeira em relação a benefícios. Saber que o saldo caiu ou que uma compra foi concluída não é só um detalhe, é uma camada de confiança. Investir em uma estratégia de push notifications clara e bem planejada foi um dos fatores de sucesso do Onniflex.
Lição: UX não é só tela — comunicação proativa é parte fundamental da experiência.
RH e colaborador têm expectativas diferentes — e isso precisa ficar claro na experiência
A pesquisa deixou claro que RHs querem controle e automação, enquanto colaboradores querem simplicidade e clareza. Isso influenciou diretamente a Arquitetura da Informação, separando claramente Áreas de gestão (para RH) e Áreas de uso pessoal (para colaborador).
O Onniflex se tornou um case de sucesso para o Onnibank e para a equipe de UX, não apenas pelos resultados quantitativos expressivos, mas principalmente por ter sido construído de forma estrategicamente orientada por dados reais e processos consistentes de UX Research e UX Design. Esse projeto provou, para o cliente e para a equipe interna, que um processo estruturado de UX não é custo — é investimento que reduz riscos e acelera o sucesso.
Processos e Metodologias de UX Aplicadas
Planejei e facilitei workshops com stakeholders para alinhar expectativas, conduzi entrevistas qualitativas e quantitativas com usuários reais e transformei dados brutos em insights acionáveis por meio de análises detalhadas. Desenvolvi wireframes e protótipos de baixa, média e alta fidelidade no Figma, iterando continuamente com base em feedback e testes. Fui responsável pela criação do moodboard panel, defini padrões visuais do style guide (como tipografia e paleta de cores) e garanti conformidade com diretrizes de acessibilidade (WCAG 2.1).
Imersão e pesquisa
Sabendo que o produto ainda não existia, e que o Onnibank nunca havia operado diretamente com benefícios, era fundamental construir o entendimento do zero, com base em dados reais. Com o objetivo e as métricas claras, iniciamos uma fase profunda de imersão e pesquisa. Estudamos o mercado de benefícios flexíveis, analisamos os concorrentes diretos (Sodexo, Flash, Caju) e entrevistamos 20 pessoas-chave: 10 gestores de RH e 10 colaboradores de empresas clientes.
A pesquisa revelou insights fundamentais:
RHs querem centralização e autonomia. Hoje, perdem muito tempo consultando múltiplas plataformas e respondendo perguntas repetidas dos colaboradores.
Colaboradores querem simplicidade e transparência. Muitos não sabem quanto possuem de saldo até ficarem no caixa do mercado. Há medo de bloqueios inesperados ou regras confusas.
Termos técnicos afastam os usuários. Nomenclaturas como “benefícios concedidos” ou “ciclo de benefícios” confundem. Eles querem ver “meu saldo” e “extrato”.
Além disso, realizamos uma pesquisa quantitativa com 130 respostas de colaboradores e RHs, validando o tamanho das dores mapeadas e suas prioridades. Esse volume de dados nos deu confiança para tomar decisões de design embasadas em dados reais, não apenas percepções internas do banco.
Stakeholder Mapping:
Identificamos todas as partes interessadas no projeto, incluindo:
Empresas Clientes: Organizações que utilizam o Onnibank para gestão de pagamentos e benefícios.
Colaboradores: Funcionários das empresas clientes que receberão salários e benefícios através do Onnibank.
Equipe de Desenvolvimento: Profissionais responsáveis pela implementação técnica do aplicativo.
Equipe de Suporte ao Cliente: Responsáveis por auxiliar usuários em eventuais dificuldades.
Parceiros Comerciais: Empresas fornecedoras de benefícios e serviços integrados ao Onnibank.
Entrevistas com Stakeholders:
Como o Onniflex era um produto completamente novo dentro do Onnibank, não existiam fluxos, telas ou diretrizes prévias. Tudo começava do zero. Por isso, as entrevistas com stakeholders tinham três objetivos principais:
Alinhamento estratégico: Entender o porquê estratégico por trás do Onniflex — qual dor de mercado o Onnibank queria resolver e como o produto se encaixava no portfólio do banco.
Restrições e requisitos: Identificar limites técnicos, legais e comerciais que precisávamos respeitar.
Visão e expectativas: Coletar a visão de sucesso de cada área (Produto, Comercial, Tecnologia, Marketing e Suporte), para antecipar possíveis conflitos de expectativas entre áreas.
Conduzimos entrevistas individuais com representantes das seguintes áreas:
CEO (visão estratégica e papel do Onniflex na estratégia macro do banco)
CPO (Chief Product Officer) (definição de valor do produto e integração com a plataforma atual)
Head de Comercial (insights vindos diretamente de empresas clientes)
Gerente de Suporte e CX (principais dores e dúvidas atuais de RHs e colaboradores)
Head de Tecnologia (restrições técnicas, integrações e arquitetura existente)
Desk Research:
Nosso Desk Research teve objetivos muito claros:
Entender o contexto do mercado de benefícios flexíveis no Brasil.
Analisar as principais soluções concorrentes para identificar padrões, boas práticas e gaps de oportunidade.
Buscar benchmarks internacionais de produtos financeiros e de benefícios com UX avançado.
Levantar dados secundários de fontes confiáveis (pesquisas, relatórios de mercado, artigos, etc.) para embasar nossas decisões estratégicas e de design.
Pesquisas Qualitativas e Quantitativas:
Com a missão de criar do zero um novo produto de benefícios dentro do Onnibank, e sem qualquer histórico anterior da empresa nesse segmento, a pesquisa foi uma peça central da estratégia de UX. Nosso objetivo era criar um produto baseado em dados reais, nas dores e desejos do público-alvo, e não em percepções internas ou suposições da equipe de produto. Por isso, estruturamos uma investigação em duas frentes complementares: pesquisa quantitativa para capturar padrões amplos e pesquisa qualitativa para aprofundar o entendimento do contexto, emoções e comportamentos.
Pesquisa Quantitativa
A pesquisa quantitativa foi planejada para obter uma visão ampla e mensurável sobre como colaboradores e RHs lidavam com benefícios atualmente, quais suas dores mais recorrentes e o que eles esperavam de uma solução ideal. A ideia era criar uma base de dados que ajudasse a identificar padrões consistentes de comportamento e expectativas, servindo de alicerce para o design do Onniflex.
Os participantes foram selecionados diretamente entre clientes do Onnibank: gestores de RH (que seriam os responsáveis por contratar e gerenciar o Onniflex) e colaboradores dessas empresas (que seriam os usuários finais do app). Esse direcionamento garantiu que estávamos ouvindo exatamente quem usaria o produto na prática.
O que descobrimos
Os dados revelaram padrões claros, como:
73% dos colaboradores consultam o saldo pelo menos uma vez por semana, reforçando que essa função precisava ser extremamente visível e de acesso imediato.
58% têm dúvidas recorrentes sobre onde o benefício pode ser usado, apontando para a necessidade de um guia prático dentro do app.
62% relataram ansiedade com saldo baixo no final do mês, o que evidenciou a importância de notificações proativas e feedbacks claros.
80% disseram que querem notificação automática toda vez que o saldo for recarregado.
E o dado mais relevante: 91% preferem ver VR e VA somados como um único saldo principal, com a possibilidade de detalhar apenas se quiserem.
Essa visão quantitativa foi essencial para dar segurança estatística às nossas decisões de design e nos ajudou a priorizar funcionalidades no MVP, focando no que realmente tinha valor para o usuário.
Pesquisa Qualitativa — Aprofundando o contexto e as emoções
Com o panorama quantitativo em mãos, partimos para a pesquisa qualitativa, cujo objetivo era mergulhar no contexto real de uso e nas emoções, percepções e histórias que não aparecem em números frios. Se a pesquisa quantitativa nos mostrou o que acontece, as entrevistas qualitativas mostraram por quê.
Realizamos 20 entrevistas individuais, divididas entre:
10 gestores de RH de empresas clientes do Onnibank (decisores de contratação).
10 colaboradores dessas empresas (usuários finais do Onniflex).
As entrevistas foram realizadas de forma remota, via Google Meet, com duração média de 45 minutos cada. Com as entrevistas gravadas (com consentimento), transcrevemos os pontos principais e criamos um Affinity Diagram no Miro, agrupando as falas em clusters temáticos. Cada grupo de insights foi classificado como:
Dor crítica (pain points)
Oportunidade de melhoria
Expectativa mínima
Desejo aspiracional
O que descobrimos
Alguns insights qualitativos foram cruciais para decisões de design:
Benefício é salário, não é mimo. Tanto para RH quanto para colaboradores, VR e VA são vistos como extensão direta do salário. Isso explica a alta ansiedade e a necessidade de transparência absoluta.
RH quer controle e automação. O maior valor percebido pelo RH é ter autonomia total para configurar regras, consultar relatórios e resolver problemas sem depender de suporte.
Notificações claras resolvem dúvidas antes que elas surjam. Se o app avisa claramente sobre recarga, uso e vencimento, o colaborador não precisa perguntar ao RH — isso alivia a carga operacional.
O tom de voz importa. Ninguém quer termos técnicos e linguagem jurídica. Benefício é algo simples: é dinheiro para comer e comprar comida. A linguagem deve refletir essa simplicidade.
Colaboradores não querem entender detalhes técnicos. Eles não querem saber se o saldo veio de uma recarga da empresa ou de um ajuste fiscal. Querem apenas saber: “Quanto eu tenho para gastar?”
A combinação das duas pesquisas criou uma base extremamente sólida para o design do Onniflex. A pesquisa quantitativa deu amplitude e revelou padrões de comportamento consistentes. Já a pesquisa qualitativa trouxe profundidade emocional, contexto real e revelou pontos cegos que não apareceriam em formulários.
Personas, Jornada e Mapa de Empatia
Com base nos dados coletados, criamos duas personas principais: Paula (a gestora de RH) e Carlos (o colaborador usuário final). Mas não paramos por aí. Criamos mapas de empatia, explorando como cada um pensa, sente, fala e age em relação aos benefícios. Isso ajudou a alinhar o tom de voz do app, as mensagens de onboarding e até os textos de push notifications.
A seguir, mapeamos a jornada completa de cada persona, desde o recebimento do cartão, passando pelo primeiro acesso ao app, consulta de saldo e uso recorrente. Isso permitiu identificar momentos críticos da experiência, como o primeiro login e a primeira compra, onde o usuário precisa se sentir completamente seguro.
Arquitetura da Informação e Card Sorting
Uma etapa essencial foi garantir que o app fosse organizado de forma intuitiva, tanto para RH quanto para colaboradores. Realizamos sessões remotas de card sorting, onde os próprios usuários organizaram as funcionalidades em categorias que fizessem sentido para eles. Essa técnica revelou, por exemplo, que colaboradores enxergam extrato e saldo como uma coisa só, enquanto o time do Onnibank inicialmente queria separar essas seções.
Com essa validação, criamos um sitemap otimizado, priorizando as funções mais utilizadas e organizando tudo com foco na frequência de uso e clareza.
Wireframes, protótipos e validações
Com a estrutura definida, iniciamos a criação de wireframes de baixa fidelidade, priorizando a validação rápida de fluxos. Cada fluxo (consulta de saldo, bloqueio de cartão, transferência de benefícios) foi desenhado e validado com usuários reais, antes mesmo de entrar na etapa de UI Design. Após ajustes baseados nos feedbacks, criamos protótipos navegáveis de média e alta fidelidade, simulando o comportamento real do app. Isso permitiu que stakeholders internos e usuários finais tivessem uma visão realista do produto antes mesmo do desenvolvimento.
Testes de Usabilidade
Com o protótipo de alta fidelidade pronto, conduzimos uma rodada de testes moderados de usabilidade, com 10 colaboradores e 5 gestores de RH. Criamos cenários realistas, como:
Você acabou de receber seu novo cartão Onniflex. Como você faria para consultar seu saldo de VR?
Imagine que perdeu seu cartão. Como faria o bloqueio imediato?
Seu RH avisou que uma nova recarga foi feita. Onde você confirmaria isso no app?
Os resultados foram extremamente positivos:
92% concluíram as tarefas sem ajuda.
88% avaliaram a interface como fácil ou muito fácil.
6% tentaram ações inválidas, o que nos mostrou pontos para ajustes finais.
Design Visual e Style Guide
Na etapa final, criamos o Moodboard com base no universo das fintechs e apps de consumo, buscando uma estética moderna e confiável. Definimos paleta de cores, tipografia, iconografia e estilos de componentes. Todo esse material foi consolidado em um Style Guide completo, entregue ao time de tecnologia no formato de documentação viva dentro do Figma, integrando com o Zeplin para facilitar o handoff.
Acompanhamento e Handoff para Desenvolvimento
Após o handoff, mantivemos acompanhamento contínuo com o time de tecnologia, participando de dailies e revisões de sprint. Criamos um UX Debt Log, onde registramos eventuais adaptações técnicas e melhorias futuras recomendadas para versões seguintes.
O que entregamos ao Onnibank foi muito mais do que um app bonito. Entregamos uma experiência validada, construída com base em dados reais, alinhada às dores e expectativas de todos os públicos envolvidos. O Onniflex se tornou não apenas uma solução de benefícios, mas uma ferramenta estratégica de engajamento e employer branding, o que reforça o posicionamento do Onnibank como parceiro estratégico para o RH.
Case Super App do Onnibank
Telas Equitativas para o Onnibank